O UNIVERSO PARALELO E SURREAL DO FOTÓGRAFO David LaChapelle

Surpresa, irreverência e ousadia. É pela marca autoral inexorável em suas imagens comerciais que David LaChapelle é um dos principais nomes da fotografia editorial e publicitária contemporânea. Descoberto por ninguém menos que Andy Warhol, o fotógrafo trabalhou durante duas décadas como retratista de celebridades, fazendo com que seu trabalho se tornasse uma unanimidade internacional.

Nascido em 1969 na Carolina do Norte, estudou Belas Artes na North Carolina School of the Arts até se dirigir rumo a Nova Iorque estudar simultaneamente na Arts Student League e na School of Visual Arts. Sua vida profissional começou em 1980, quando mostrou suas obras a galerias nova-iorquinas e atraiu o olhar de Andy Warhol, que o ofereceu seu primeiro emprego como fotógrafo na Interview Magazine. As fotografias de estrelas hollywoodianas logo ganharam atenção, e, rapidamente, seu nome se destacava em grandes publicações editoriais, como Vogue, Vanity Fair, GQ, Rolling Stone, i-D, além de campanhas publicitárias marcantes de sua geração. Para suas lentes, posaram inúmeras personalidades poderosas como Madonna, Tupac Shakur, Hillary Clinton, Muhammad Ali, Michael Jackson, Jeff Kons, Elizabeth Taylor, Uma Thurman, Andy Warhol, David Beckham, Leonardo DiCaprio, Lady Gaga, Katy Perry e muitos outros.

 

O fotógrafo assume que sempre tenta ir o mais longe possível da realidade em suas fotografias, criando um mundo paralelo e surreal que mistura glamour e comédia, beleza e bizarro. Essa atmosfera contribui para que seu trabalho seja relacionado a obras de artistas surrealistas, como Salvador Dalí. Entretanto, LaChapelle reinventa em imagens digitais e impecavelmente manipuladas. Outra grande característica de David é seu talento para dirigir celebridades, inserindo-as de forma natural em contextos, situações ou poses polêmicas, como o celebrado clique de Angelina Jolie em estado de êxtase, e, os cliques de Pamela Anderson repletos de referências à artificialidade de seu corpo.

 

Britney Spears também teve destaque em sua trajetória, quando ainda na adolescência protagonizou um dos mais polêmicos ensaios de seu portfólio, tornando suas capas para a Rolling Stone em1990 itens de colecionador.David LaChapelle, sem abandonar a fotografia, também se destacou na direção de clipes, eventos ao vivo e documentários, colecionando prêmios também na área cinematográfica. Dirigiu clipes para Christina Aguilera, Moby, Jennifer Lopez, Amy Winehouse, Britney Spears e No Doubt. Madonna foi a responsável por um ponto de virada em sua carreira. Numa tarde de 2005, enquanto discutiam o clipe de Hung Up pelo telefone, LaChapelle decidiu em um rompante afastar o celular do ouvido, deixando a cantora gritando do outro lado da linha. “Foi um momento libertador na minha vida, decidi que não faria mais aquilo”, declarou, anos mais tarde. Depois de um longo retiro recolhido em sua casa em Maui, no Havaí, lançou em 2012 um dos primeiros frutos dessa decisão, uma série de 10 fotografias de natureza morta exibidas em galerias de Nova Iorque, Londres, Milão e St. Moritz. David declara-se um fotógrafo capaz de ser inspirado por tudo, da história da arte à cultura de rua, passando pela selva havaiana em que vive. Ainda de acordo com o próprio, seu trabalho é em um só tempo amoroso e crítico, o que o permite projetar, também em sua obra autoral, uma imagem própria da cultura pop do século XXI. São essas características que facilitaram sua transição do mundo da moda e da fotografia de celebridades para a arte contemporânea.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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