JEJUM: QUAL FINALIDADE?

A epidemia de anormalidades metabólicas, como obesidade, síndrome metabólica e diabetes mellitus tipo 2, tem ocasionado um aumento na prevalência de doenças cardiovasculares, condições em que os indivíduos afetados apresentam importantes melhorias advindas de modificação nos hábitos alimentares. Estudos experimentais recentes têm elucidado a modulação do metabolismo por jejum intermitente, demonstrando alterações positivas no metabolismo glicídico (valores menores de glicemia e insulinemia) e lipídico (redução no volume de gordura visceral), além de uma maior resistência ao estresse. Em indivíduos obesos observou-se uma melhor adesão ao jejum intermitente em relação a intervenções tradicionais (como a tradicional restrição calórica), além da redução no estresse oxidativo desta população. 

O jejum intermitente (JI) é uma estratégia intervencionista em que indivíduos são sujeitos a períodos variados de jejum. O JI tem atraído recentemente a atenção porque estudos experimentais destacaram seu potencial para corrigir anormalidades metabólicas. Esse regime também mostrou melhor aderência do que outros métodos. Yoshinori Ohsumi, ganhador do Nobel de Medicina do ano de 2016, identificou que o jejum faz com que suas células se “comam”, ou seja, os benefícios de jejuar vão muito além do regime e emagrecimento. O Jejum Intermitente ou o corte radical de calorias pode, inclusive, aumentar sua expectativa de vida, devido ao fato de que a privação de alimentos de forma controlada ativa os mecanismos de autodefesa das células que garantem a elas mais longevidade. Isso traz benefícios para o organismo.

Yoshinori Ohsumi ganhou o Nobel justamente pelas suas descobertas sobre a autofagia. Trata-se de um mecanismo fundamental de auto-limpeza que existe em todas as células de nosso corpo. Isso significa que as células começam a quebrar e metabolizar proteínas quebradas e disfuncionais que se acumulam dentro delas ao longo do tempo. Esse processo pode, até mesmo, proporcionar proteção contra várias doenças, incluindo câncer e doença de Alzheimer.

O conceito de autofagia não é novo. Ele foi descoberto por volta dos anos 1960, mas pouco se sabia sobre isso até o início dos anos 1990, quando Ohsumi fez uma série de experimentos para identificar quais são os genes envolvidos nesse processo. A autofagia é ativada quando a célula está em situações de estresse e restringir o consumo de alimentos. De acordo com pesquisas, os benefícios surgem quando há redução de calorias ingeridas entre 20% e 60%, que aumentaria a autofagia. Ele inicia processos importantes de reparo celular e muda os níveis hormonais para tornar a gordura corporal armazenada mais acessível.

O método de jejum é uma excelente arma para controlar o apetite, inchaços após fim de semana de orgia alimentar, celulite, aumento do hormônio de crescimento, redução da resistência à insulina, mudança na expressão gênica de determinadas doenças, melhora do rendimento físico, manutenção e perda de peso adequado.

Há diversos tipos de jejum: jejum de 16 horas, jejum de 12 horas no mínimo, jejum de 24 horas 2 a 3 vezes na semana, jejum de 2 dias (2 dias na semana apenas com 3 refeições), jejum de 36 horas e etc. tudo depende das variáveis e objetivos do paciente. Mas vale ressaltar que não se deve seguir o jejum sem orientação adequada, hidratação adequada durante o intervalo sem consumo alimentar, doenças metabólicas e medicamentos e etc. Procure um profissional com conhecimento prático sobre o jejum.

 

FRANCESCA PAULA KUNZ

FARMACÊUTICA INDUSTRIAL - CRF SC 4188

NUTRICIONISTA ESPORTIVA FUNCIONAL - CRN10 SC 4346

FITOTERAPIA FUNCIONAL

FISIOLOGIA E BIOQUÍMICA DO EXERCÍCIO

Please reload